Ilustração para um artigo sobre Meio ambiente, publicado no jornal "A Gazeta".
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Homo Arrogantis

No princípio, o homem criou Deus à sua imagem e semelhança.
E viu que era bom!
Aliás, viu que era mais que bom.
Como Bombril, tinha mil e uma utilidades: servia para justificar fortunas ganhas, territórios conquistados; servia como objeto de temor para se respeitar regras arbitrárias e mais do que tudo, era perfeito para ratificar a superioridade do homem sobre todos os outros animais e sobre o planeta como um todo.
O próprio homem pôs na boca de Deus estas palavras: "E Deus os abençoou (Adão e Eva), e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra".
Antes disso, a equipe criativa do homem (a Igreja) para esses assuntos escreveu na sua obra-prima, a Bíblia, assim: "E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas".
Ou seja, o sol, a lua e as estrelas não passam de lâmpadas no céu para iluminar o homem na sua casa, a Terra.
Ainda hoje, apesar de todas as descobertas científicas, muita gente acredita nisso.
Mesmo que se ensine nas escolas que o próprio sol é apenas mais um dos bilhões de estrelas que existem no universo, e que girando em volta de cada uma dessas estrelas existem incontáveis planetas, mais ou menos parecidos com o nosso, o que faz com que a probabilidade de existir vida extraterrestre seja absurdamente gigantesca, ainda acreditamos que somos os únicos seres inteligentes do universo e únicos filhos de Deus, porque, afinal fomos criados à sua imagem e semelhança, ou vice-versa.
E assim como legítimos donos da Terra, vamos levando a vida obedecendo com excelência à palavra de Deus: frutificando, multiplicando, enchendo o planeta e o dominando.
O problema é que o arrogante homem esqueceu que por mais cidades e construções ele faça, por mais que ele se pense como uma entidade autônoma e independente do universo que, afinal, só existe como cenário e fundo de pano para ele atuar, ele sempre vai estar sujeito às leis da natureza.
Estas, sim, regem supremas.
Esse multiplicar e encher a Terra sem limites ao longo dos séculos esbarra na saturação dos recursos do planeta e em todo o desequilibrio ambiental que tanto tem se falado ultimamente. Não existe mais pra onde se crescer.
Na verdade, o ponto de saturação já foi ultrapassado há muito tempo.
O planeta não é do homem.
Ele é apenas mais uma espécie viva que o habita.
E deveria existir em harmonia com os outros animais e a natureza.
Não é o caso de se pregar que todo mundo volte a viver na floresta, claro que não é isso.
Mas um pensamento menos arrogante e mais lúcido nortearia cada ação do nosso dia a dia.
Os ambientalistas se esforçam para conscientizar a população a mudar alguns hábitos como reciclar lixo e coisas do tipo, mas isso é pouco.
Políticas macro que envolvam redução do crescimento econômico, criação de grandes áreas internacionais de preservação ambiental e forte controle da natalidade devem ser estudadas e implementadas.
É fundamental uma mudança de pensamento: A civilização não pode e não precisa mais crescer e o planeta não foi feito para o nosso dispor, somos apenas parte dele, mas como única espécie inteligente (há controvérias), temos a obrigação de consertar as coisas, até porque fomos nós que o danificamos.
sábado, 19 de setembro de 2009
Uma dor cachorra
Tô com uma puta dor me incomodando do lado direito da barriga há algumas semanas.
Não é uma dor que dói e passa, ela tá comigo o tempo todo: Logo que acordo, ela me dá bom dia. Me acompanha o dia todo e à noite deseja que eu durma bem. Como se desse.
É uma puta dor, uma dor cachorra. Uma dor companheira.
Em alguns momentos, penso que ela se foi.
Mas, é só dar uma checada, fazer um movimento, para ela dar sinal de vida, e eu perceber que ela tá ali fielmente comigo. Abanando o rabo pra mim.
Ela tá aumentando, crescendo aos poucos.
Já achei que fossem gases, mas acabei com uma caixa de Luftal e não resolveu nada.
Preciso marcar um gastro pra cuidar dela... ou, quem sabe, um veterinário.
Não é uma dor que dói e passa, ela tá comigo o tempo todo: Logo que acordo, ela me dá bom dia. Me acompanha o dia todo e à noite deseja que eu durma bem. Como se desse.
É uma puta dor, uma dor cachorra. Uma dor companheira.
Em alguns momentos, penso que ela se foi.
Mas, é só dar uma checada, fazer um movimento, para ela dar sinal de vida, e eu perceber que ela tá ali fielmente comigo. Abanando o rabo pra mim.
Ela tá aumentando, crescendo aos poucos.
Já achei que fossem gases, mas acabei com uma caixa de Luftal e não resolveu nada.
Preciso marcar um gastro pra cuidar dela... ou, quem sabe, um veterinário.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Mídia e Mercado - 11 de agosto de 2009

Nota elogiosa sobre O Gato Verde publicada na coluna Mídia e Mercado do site Folha Vitória ( http://www.folhavitoria.com.br ) de 11 de agosto de 2009. Legal é que esta nota saiu sem que a assessoria de imprensa precisasse mandar release, ao contrário das outras matérias.
Obrigado, Dídimo!
Ilvan
Ilvan
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
O Gato Verde
terça-feira, 7 de julho de 2009
História de guerra
Bombas, foguetes, morteiros, granadas e tiros por todo lado.O bombardeio é pesado e incessante. Dia, noite, dia, noite, dia...
Esse já é o terceiro dia em que tentamos defender nossas posições e evitar que o inimigo tome esse vilarejo em que estamos. Em tempos de paz, esse povoado nem estaria no mapa, mas agora ele tem uma posição estratégica e vital nesse conlito.
Apesar disso, parece que fomos esquecidos pelo alto comando. Não existe mais esperança para nós. O exército inimigo está em maior número. Nossas linhas de comunicação foram cortadas, mas temos informações não-confirmadas de que eles estão nos atacando com três batalhões de infantaria, além de sei lá quantos tanques e todos os aviões que podiam lançar bombas em cima de nossas cabeças.
Nós estamos cansados, doentes e famintos. Estamos racionando as provisões que estão no fim. Os feridos se amontoam sobre nós e nós nos amontoamos em cima dos mortos. Eles servem, ao menos, para reforçar as trincheiras. Não sei como aguentamos o cheiro acre e azedo de carne apodrecendo. Talvez porque o cheiro da nossa própria morte se aproximando seja mais forte e anestesie nossos narizes.
É uma questão de (poucos) dias para que todos nós tenhamos caído.
O desespero me faz sair das trincheiras e tentar fugir. Corro entre as bombas que explodem a minha volta e os tiros que zunem nos meus ouvidos.
Consigo sair da vila e atrevesso uma pinguela corroída pelo tempo que se equilibra sobre um pântano cheio de corpos perdidos.
No meio da lama, várias tochas acesas bruxuleiam suas frágeis chamas acima do mofo e da umidade, sem iluminar muito.
Paro e olho.
Elas fazem parte de um conjunto de piras funerárias. À distância e no meio da escuridão, percebo que elas estão em torno de algumas figuras caídas. Uma a uma, eu as reconheço. São meus sonhos que estão lá sendo velados. Todos eles estão lá. Os mais importantes, os nem tanto, os mais queridos e desejados e até aqueles de ocasião.
Todos mortos.
Sinto como se estivesse no velório de um velho amigo.
Um só não.
De todos eles.
Os que eu tive e os que eu não tive.
Os amigos que eu queria ter e os que eu não fazia questão.
Dói muito.
Em cima da pinguela, no meio do caminho, eu sento e choro.
E espero também a minha hora.
Texto e imagem de Ilvan Filho
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